A Criança que Vive em Nós x Padrões e Comportamento de consumo

É como se estivéssemos,
o tempo todo,
negociando com crianças.

O comportamento de consumo, nos dias de hoje, segue um padrão um tanto quanto curioso, pra não dizer frustrante. São dois pontos a serem analisados.

O primeiro lado é o de que pessoas simplesmente estão se deixando levar por propagandas enganosas. Era tudo que tinham mais medo, tudo que não queriam, tudo que a gente sempre viu ser abominado, o tal do “o marketing tenta empurrar pras pessoas coisas que elas não precisam; O marketing engana as pessoas”. Pois bem, se permitiram ser enganadas. E aparentemente estão gostando.

Segurem essa informação e vamos para o outro lado.

Ai temos todas as pessoas que estão, de fato, OFERECENDO algo. O que acontece é a necessidade de um esforço TREMENDO pra tentar CONVENCER pessoas que PRECISAM de algo diferente do que necessariamente QUEREM. É cansativo.

É como ver uma pessoa procurando um lápis, ter um lápis, oferecer o lápis, mas a pessoa simplesmente ignorar porque você não usou nenhum “gatilho mental”, não fez um “lançamento” ou “não tem um carro com banco de couro”, quando, na realidade, o motivo da pessoa nem enxergar quem oferece o lápis é que a criança interna dela não quer o lápis, porque no fundo não quer ter que escrever. Faz sentido?!

Agora vamos juntar tudo.
De um lado temos tudo que a gente QUER e de outro temos tudo que a gente, de fato, PRECISA. Certo?!
Algumas coisas vão se juntar nesse caminho e serão produtos ou serviços que queremos E TAMBÉM precisamos. Esse aqui é que deveria ser o ponto onde entregamos o nosso dinheiro em troca daquilo.

Mas veja bem. O que mais acontece no momento, são pessoas comprando desenfreadamente tudo aquilo que QUEREM, mas não PRECISAM. São basicamente crianças, em corpos de adultos, com dinheiro em mãos, ou nem sempre com o dinheiro, mas ainda assim se consolando com a possibilidade de ter o que não tiveram algum dia, visto que vivemos dias conturbados e tanto quanto desolantes.

E do lado de quem tem algo a OFERECER temos dois tipos de pessoas/empresas:
• As que sabem exatamente o que você QUER e te oferecem isso com um belo lançamento e regado a carros caros, com banco de couro, afinal sabem que você enxerga exatamente o que é capaz de ver: se a pessoa ficou rica, você também pode ficar. Elas não ligam se você realmente PRECISA do que elas têm, elas só seguem oferecendo porque sabem que VENDE FÁCIL, afinal, nosso cérebro vai SEMPRE dar preferência por acreditar naquilo que QUEREMOS acreditar, ou seja, que for mais CÔMODO para a nossa existência ou para satisfazer desejos internos que até mesmo nosso inconsciente desconhece.
• As pessoas que sabem do que você PRECISA, de fato e, com muita lucidez, juízo na cabeça e incapacidade de ENGANAR o próximo, se RECUSAM a te entregar diquinhas inúteis, à rodo, só pra satisfazer seu ego e as necessidades da criança que vive em você. Só que essas pessoas estão negociando com essas CRIANÇAS que vivem ai dentro, visto que o padrão do mercado atual colocou elas à frente dos nossos desejos.

A vida está tão merda, pra tanta gente, que realmente “não faz sentido” (consciente) desejarmos o que PRECISAMOS, afinal, o que precisamos, de verdade, como adultos, é nos responsabilizar por nossas ações e fazer o que for preciso e tangível ao alcance de cada um, para mudar a própria realidade. Sim, existem privilégios e as oportunidades não são as mesmas pra todo mundo. E assim a variante da possibilidade de “ter sucesso” é tão grande que se torna intangível e com sensação de inalcançável, ou seja, é mais fácil e mais prazeroso comprar aquilo que QUEREMOS do que o que PRECISAMOS, pois é mais confortável continuar onde está, do que procurar uma por uma brecha de oportunidade. Afinal, “não é pra todos” né?!

É tipo assim, que a nossa cabeça funciona: “Já que a possibilidade de alcançar o que eu quero é tão distante e ao compreender que, mesmo com todo o meu esforço, posso ainda assim não chegar onde quero, então vou ficar com esse consolo aqui mesmo, que me custa moralmente menos, pra simplesmente não dizer que desisti da vida”.

As crianças internas tomaram conta, porque permitimos, afinal já que tá tudo uma merda mesmo, vamos pelo menos nos “divertir”, não é mesmo?!

E assim o mercado de pessoas que sabem do que você QUER, mas que não precisa, segue CRESCENDO.
Enquanto o mercado de pessoas que têm o que você precisa e trabalham honestamente pra te oferecer isso, se vê com um muro entre ele e a sua criança que realmente não quer nem saber dessa chatice de responsabilidade e trabalho.

O ponto é:
Talvez você também seja uma dessas pessoas que tem o que outras pessoas precisam. Mas se perdeu no meio do caminho pela opressão do comportamento de consumo e nem entendeu como foi que isso aconteceu.

A gente segue enriquecendo quem nos engana, porque a criança mesmo não sabe essa diferença. Ela só quer o doce que o estranho está oferecendo, foda-se as consequências.

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